Flávio Bolsonaro saiu do Brasil pela ponte, e a CIA na história tem uma fonte só
A "Operação Alba" vem de um único advogado, sem confirmação de governo algum. Três casos mostram como é uma saída com os americanos por trás.
Assunto sério, do jeito mais torto possível.
Às 22h50 da terça-feira, 27 de outubro de 2026, um carro atravessou a ponte entre Foz do Iguaçu e a Argentina levando o senador Flávio Bolsonaro, a mulher e as duas filhas, segundo a VEJA. Quarenta minutos depois, a família embarcou num jatinho particular. Na manhã seguinte, um advogado mexicano deu nome à viagem: Operação Alba, com o dedo da CIA. Até agora, essa parte não tem prova.
Os fatos que têm fonte
No domingo, 25 de outubro, Lula venceu o segundo turno por cerca de 4,5 milhões de votos. Flávio disse que era impossível reconhecer o resultado por causa da prorrogação da votação em duas horas. As duas campanhas tinham pedido a prorrogação, e depois das 17h votaram cerca de 34 mil eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
Na mesma noite, sete minutos depois da confirmação da vitória de Lula, a Polícia Federal pediu os passaportes do senador. O ministro Alexandre de Moraes aceitou no mesmo dia e proibiu a saída do país, numa investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio disse em público que ficaria para liderar a oposição.
Na terça, ele cruzou a ponte. O jato, um Gulfstream de uma empresa argentina, decolou à 0h20 para Guayaquil, no Equador, e seguiu para os Estados Unidos. Às 9h25 de quarta, pousou num aeroporto executivo da Flórida, e a família recebeu uma autorização humanitária de um ano para ficar no país.
Um dia sem saber onde ele estava
Nada disso ficou claro na hora. A Argentina disse de manhã que ele não tinha entrado no país e, de madrugada, confirmou que tinha. Perguntado ao vivo, Donald Trump respondeu: "Ouvi dizer que ele estava na Argentina".
Já na Flórida, Flávio divulgou uma carta em que se declarava o verdadeiro presidente eleito do Brasil. A primeira versão saiu com um brasão escrito "Estados Unidos do Brazil", com z, nome que o país usou até 1968. Vieram pelo menos quatro versões, segundo a Folha e O Globo, e em uma delas "presidente eleito" virou "líder". Segundo o UOL e o g1, a troca foi pedida pelo governo americano. Trump encerrou o assunto: "Demos a ele uma autorização para entrar, mas não vou me envolver".
De onde veio a CIA
O nome Operação Alba e a história de que o secretário de Estado Marco Rubio comandou tudo vêm de uma só pessoa, o advogado Simón Levy. O Metrópoles mostrou que ele tem histórico de publicar notícia falsa, e nenhum governo confirmou a versão. O que há de concreto é um jatinho alugado, uma ponte, uma autorização dada por Washington e a oposição argentina querendo saber se o governo Milei ajudou.

Três saídas com os americanos por perto
A dúvida tem história. Nas Filipinas, em fevereiro de 1986, Ferdinand Marcos enfrentava um milhão de pessoas nas ruas de Manila. Aconselhado pelo senador americano Paul Laxalt a cortar de vez, foi levado por helicópteros americanos. Queria ir para sua terra natal, mas acabou em Guam e depois no Havaí. Levou caixas de dinheiro e joias, e o palácio ficou com mais de mil pares de sapatos de Imelda Marcos.
No Tibete, em março de 1959, o Dalai Lama, então com 23 anos, saiu do palácio de verão vestido de soldado e caminhou duas semanas pelo Himalaia. Na comitiva entraram dois tibetanos treinados pela CIA, com um rádio que informava os americanos sobre o trajeto. A CIA sempre disse que só soube da fuga depois de iniciada.

Em Tóquio, em agosto de 1973, o opositor sul-coreano Kim Dae-jung foi sequestrado por agentes do serviço secreto de seu país. Segundo seu relato, amarraram pesos nele em alto-mar. O chefe da CIA em Seul descobriu quem estava por trás, e o embaixador Philip Habib levou o aviso ao palácio do governo. Cinco dias depois, Kim apareceu vivo em casa, e em 2000 ganhou o Nobel da Paz.
No caso de Flávio, por ora, há registro de ponte, jatinho e autorização. A CIA segue sem prova.
Atualizada em 31/10/2026 15h56
Assista à história completa, com as fontes, no YouTube.
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